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Entenda a desclassificação da campeã da Ultramaratona Brasil 135+

Entenda a desclassificação da campeã da Ultramaratona Brasil 135+

Após recurso de outro competidor, Ana Luiza Matos perdeu o troféu


A edição 2015 BR 135+, uma das principais e mais difíceis ultramaratonas do país com 281 quilômetros de percurso, foi marcada por muita polêmica com a desclassificação da primeira colocada, Ana Luiza Matos. A prova reúne corredores do Brasil e do mundo e, após o término da corrida, um competidor entrou com recurso alegando que ela havia sofrido contato físico com outra pessoa, o que é proibido pelo regulamento.

Ana postou um desabafo nas redes sociais e logo parte da comunidade de ultramaratonistas saiu em sua defesa, afirmando ter faltado bom senso ao diretor de prova. Ela percorreu parte do caminho de mãos dadas com seu marido, ato que ela considerou como uma forma de incentivo e carinho num momento de cansaço e muito desgaste físico.

Porém, a organização interpretou como uma forma de receber ajuda externa e a desclassificou. “Aquele local não tinha grau de dificuldade e estávamos à luz do dia. Não quis burlar nada e estava inclusive à frente do meu marido”, afirma Ana. Ela comenta ainda que poderia ter burlado o regulamento sem que ninguém se desse conta. “Em alguns trechos não havia staff à noite, corri e andei sozinha e só em alguns lugares anotavam meu número e hora”.

Ela se diz chateada com o organizador, Mario Lacerda, porque ele teria usado dois pesos e duas medidas com o fato. “Outros atletas também receberam apoio e não foram desclassificados. Mas ele disse que se eu não fosse a campeã da prova o fato seria irrelevante”

Após análise completa de um vídeo oficial, veio a decisão da desclassificação. Foto: arquivo pessoal
Após análise completa de um vídeo oficial, veio a decisão da desclassificação. Foto: arquivo pessoal

O outro lado - O Comandante Mario Lacerda, responsável pela organização do evento, afirma que tomou a decisão com base na totalidade do vídeo oficial e não apenas no trecho exibido aos atletas durante a premiação, ou numa foto que percorreu as redes sociais. “Foi o cumprimento simples e irrestrito do regulamento. Dizer que andar de mãos dadas foi uma demonstração de carinho, ou que outras pessoas também tiveram contato físico é apenas uma forma de como contornar as leis para beneficiar nossos amigos e a gente mesmo”.

O item 2.13 do regulamento da prova diz “Os Atletas não poderão ter nenhum contato FÍSICO com outras pessoas durante toda a corrida”. Ana questiona que nesse caso a punição deveria ter sido aplicada conforme o item 7.3, que acrescentaria uma hora a mais no tempo final, mas para Mario a infração foi muito além disso.
“Andar de mãos dadas ou ser puxado por alguém é ser desonesto com os outros atletas. Não acredito que ela tenha feito isso de má fé, afinal foi durante o dia e ela é uma atleta forte e experiente, porém, isso não descaracteriza a infração”, comenta o organizador.

Ainda sob o calor dos acontecimentos, Ana afirma que não tem intenção de voltar à BR 135+ no próximo ano, porém Mario deixa claro que a decisão foi apenas técnica e não pessoal. “Eu lhe dei o benefício de não ser banida, como já ocorreu com outros atletas no passado. Então caso ela se classifique no próximo ano será bem vinda”, finaliza.
 
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